O Edifício-Monumento está fechado para obras de restauro e modernização

Retratos da Imperatriz: interpretações da princesa Leopoldina em museus brasileiros

Local: Avenida Nazaré, 268 - Ipiranga - São Paulo - SP
Data: 
22/11/2017 - 14:00 - 18:00

Palestra com a docente e pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP, Ana Paula Cavalcanti Simioni, na série Encontros com Acervos, que promove atividades de difusão das pesquisas realizadas a partir das coleções do Museu do Ipiranga.

  

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Em artigo publicado na revista "Nuevo Mundo", a pesquisadora apresenta um resumo de seu trabalho:

"Em 1922, celebrou-se o primeiro centenário da Independência do Brasil. Nesse momento a pintura de história experimentou um revival tardio, ensejando uma série de produções e encomendas para os festejos realizados ; dentre elas emergem duas representações muito diversas da Princesa Leopoldina de Habsburgo, primeira esposa de Pedro de Bragança, Imperador do Brasil entre 1822 e 1831.

Pretende-se analisar essas obras, que hoje figuram em museus públicos nacionais, como materializações de discursos diversos sobre gênero, história e poder. Por um lado, trata-se de Sessão do Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque, realizada em 1922, que é considerada como a primeira pintura de história feita por uma mulher no Brasil. Essa obra contradiz toda uma tradição que se desenvolveu ao longo do oitocentos no país mediante a qual as ações heróicas, ou politicamente significativas, forma retratadas como frutos de sujeitos masculinos.

Mas, de outro lado, em 1921, o pintor italiano Domenico Faillutti realizada para o Museu Paulista de São Paulo, a tela “Retrato de Dona Leopoldina Habsburgo e seus filhos”, na qual representa a princesa por meio de uma solução compositiva e temática absolutamente diversa. Se na tela de Georgina, atribui-se à princesa a condução do processo de Independência, assinalando seu papel politicamente ativo, aqui frisa-se o papel maternal e doméstico como sua contribuição mais importantes para a formação da nação. Procuraremos mostrar que ambas as telas podem ser vistas como tomadas de posição diante do contexto político de afirmação da I República brasileira (1889-1930); nelas materializam-se os discursos contraditórios sobre os lugares das mulheres nessa nova ordem, de um lado, como sujeitos políticos, e de outro, como “mães virtuosas”."

 

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